Só realmente acordei quando dei de cara
com o chão.
Eu
não dormi nada nessa noite como em todas as outras em que eu fico ansiosa
demais. Horas divagando não ajudam a aplacar minha ansiedade.
Olhei
para o despertador e ele marcava 7:20 A.M. Desliguei antes que ele tocasse um
trecho de “Animal I Have Become” em alto som. Os barulhos do quarto ao lado
indicavam que Ryan já havia acordado e que estava procurando algo para
disfarçar que estava bêbado, como eu sei disso? Simplesmente por que acontece
todo dia.
Revirando
os olhos fui tomar banho, sabia que a melhor maneira de lidar com Ryan nesse
estado era simplesmente ignorá-lo. A água quente do chuveiro foi o suficiente
para me acalmar. Eu tenho o que as pessoas chamam de “temperamento forte”, ou
seja, eu fico irritada e brava com tudo, sou quase bipolar.
Eu
sentia falta da Alemanha, meu país natal, das minhas amigas Katerina e Faith,
do babão do meu ex-namorado Erik que não me largava, para você vê como eu estou
carente, da minha escola e de como eu sempre acabava na sala da diretora
comendo biscoitos de chocolate e coca-cola extraviada.
Meu
pai havia decidido mudar para seu país de origem logo depois de abrir aqui uma
franquia de sua empresa de carros de luxo. Eu me revoltei claro, e Ryan passou
a ir todas as noites a festas e a beber direto, até se drogar, mas não teve
jeito, nós realmente nos mudamos para uma cidade da Inglaterra, Oxford. Além de
me mudar para um país totalmente diferente (ainda bem que eu tinha estudado
desde pequena a língua inglesa), saí do meu estado de abelha rainha do antigo
colégio para ser uma incógnita em um colégio que eu nem sei o nome. Eu havia
cogitado seguir os passos do meu irmão, o que eu não fiz, já que tenho uma
coisa chamada cérebro, diferente dele.
Fechei
o chuveiro com um suspiro e fui trocar de roupa, era o primeiro dia de aula e
tinha que construir minha reputação, minha meta era vestir algo que dissesse
“sou amigável, mas não chegue tão perto”, geralmente dava certo. Separei uma
calça jeans escura justa, blusa de renda transparente rosa claro com um top
rosa por baixo, botas pretas com tachas (minhas BFFs), uma jaqueta de couro
preto e agarrei óculos escuros com armação colorida. Meu cabelo louro havia –
graças aos céus – acordado bem. Escovei-o e resolvi deixar natural mesmo. A
maquiagem foi a de todos os dias, lápis e delineador nos olhos, blush e gloss
vermelho. Peguei minha bolsa xadrez com a bandeira da Alemanha como último
protesto.
Quando
vinha saindo meu irmão esbarrou em mim, antes que ele descesse as escadas,
agarrei seu braço e usando minha força adquirida pelos treinos de boxe, o
empurrei para o banheiro e tranquei a porta.
- O que você está fazendo? – Perguntou com uma
voz tão grogue que até meu bisavô cego perceberia que ele estava mais drogado
que o Bob Marley.
-
Te ajudando seu imbecil – Gritei – Dá para perceber que você está bêbado a
quilômetros de distância.
Mergulhei
sua cabeça na pia, antes que começasse a reclamar.Quando puxei, já tinha até
uma cara melhor. Entreguei uma aspirina
e um enxaguante bucal antes de dar um tapa estalado no seu rosto tão forte que
ele cambaleou.
-De
nada – Corri do banheiro antes que ele revidasse.
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